25 de julho de 2022

Chegar, retroceder, progredir

Chegámos ontem pela hora do jantar. Os planos de viagem tiveram de ser alterados, devido ao atraso na partida. Estava pensado vir por Tui e daí por Santa Tegra. 
Faremos isso amanhã, ainda que tendo que  retroceder. A vida não é, porém, necessariamente seguir-se em frente. Progride-se quando se recua.
Enfim, Vigo: uma longa descida a pé, vindos do hotel, rumo ao restaurante, a pensar no pior ao ter de regressar. Tudo aqui parece de quebra-costas.
A cidade, limpa, tranquila. O ar fresco, depois do pavoroso tempo tórrido destes dias, pelo que vimos na TV Galicia aqui também. 
Praça Compostela: uma feira de livros! A visitar assim que se jante!
Jantar: pimentitos Padrón para abrir. 'Unos pican, otros non". Aqui calhou-nos o "non". "Manipulam-nos para que se comam mais em busca dos picantes" ironizou o empregado do restaurante enquanto trazia o prato principal: paella,  naturalmente com "caña" para beber. Caña no sentido de cerveja, não de aguardente de cana de açúcar entenda-se, apesar do regresso ao hotel ter sido de táxi...
A feira dos livros, entretanto, "cerrada". Amanhã também é dia.

23 de julho de 2022

Viagem pela maravilha


Uma viagem no terreno começa pela que outros fizeram: o roteiro dos lugares, o caminho da cultura, as veredas dos símbolos. 

Da Galiza mágica a descobrir a maravilha. Partida, amanhã.

17 de maio de 2020

Cantar-te-ei, Galiza, na língua galega

Devo ao meu amigo Patrick Gerassi, amável correspondente, a lembrança. Em cada 17 de Maio comemora-se o aniversário da data de edição do livro Cantares Gallegos de Rosalía de Castro,  e com ele o Dia das Letras Galegas
Nesse dia do ano 1863, o marido da autora completava trinta anos e a obra surgiu como um presente íntimo. Hoje é um símbolo da língua que é a nossa comum, a dos portugueses. 
Fui à estante, há muito desactualizada, e trouxe à luz esta edição de 1999, coordenada por Ângelo Breda com o patrocínio, entre outros das Irmandades da Fala da Galiza e Portugal.
Aqui fica como lembrança e com ela o reviver deste meu espaço.

18 de agosto de 2018

Todo o Portugal é galego

Comecei a ler, como amiúde faço, pelo meio, com surtidas às folhas do início, depois a percorrer na íntegra uma entrevista, concedida pelo autor, em 1932, ao Diário da Noite.
São dispersos, fruto de quarenta e sete anos de trabalho em prol da defesa do galaico-português.
Detenho-me demoradamente no que é o artigo mais extenso do conjunto. Prosa límpida, tema diversificado, narrativa solta como se em conversa. O título é tudo: A Galiza, o Galego e Portugal
Sublinho, como gosto, e há livros que não valem um risco, neste raro é o parágrafo em que não fica assinalado um excerto. 
Antes de vir aqui, seguia o amoroso esforço de reabilitação de Luiz Vaz de Camões, que numa desastrada estância do Canto IV dos seus Lusíadas pareceu pagar com ingratidão a origem galega, pondo na boca de Vasco da Gama o epíteto «sórdido galego», ante o que Manuel Rodrigues Lapa tudo faz para, inventariando exegetas, achar uma hermenêutica que reconstrua o vocábulo, salvando-o do pejorativo maior.
Mas foi a citação aí a Alexandre Herculano, por cuja grave probidade não posso ter maior apreço, fantasma hoje num tempo de fulgurante esquecimento e medíocre indiferença, que me dita estas linhas: todo o Portugal é galego, muitas vezes sem saber que o é.

29 de março de 2015

A poesia une: João Verde e Amador Saavedra



A poesia une povos. Segundo o jornal Faro de Vigo «El puente internacional de Salvaterra y Monçao, que hoy domingo cumple 20 años desde su entrada en servicio, se denomina desde ayer "Joâo Verde e Amador Saavedra", en honor a los poetas que escribieron versos sobre la unión de las dos villas.
Los actos contaron también con la firma de un protocolo de hermanamiento entre las dos localidades para compartir servicios y poner en marcha proyectos conjuntos para beneficiar a sus vecinos.». A notícia é também divulgada pela Câmara Municipal de Monção [ver aqui]
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João Verde [pseudónimo de José Rodrigues do Vale], nasceu em Monção no ano de 1866, no Largo da Palma, e faleceu em 1934, na “Casa do Arco”, Rua Conselheiro Adriano Machado, conhecida localmente como Rua Direita. [sobre ele ver mais aqui]

18 de outubro de 2014

Costa da Morte

Regressa o corpo ao local natural do seu destino, levado em viagem pela torrente na convulsão que é a vida. Talvez seja aqui o limiar do que se chame casa, uma pálida luz, ido o horror do pior momento, enregelados de sofrer.


6 de abril de 2014

Grial, revista de cultura


Encontrei hoje, na 'Feira dos Peludos', em Espinho, uns números soltos da revista Grial [ver a história da revista aqui] entre os quais este, editado em 1968, compilando um estudo de Manuel Rodrigues Lapa sobre a edição,  saída em Itália,  em 1964, das poesias do nosso clérigo trovador Aires Nunes (ou Airas Nunes).
Homem dedicado às letras galaico-portuguesas,  Manuel Lapa detém-se sobre o fundo inspirador provençal dessa lírica e sobre a problemática da origem galega do seu autor. E polemiza aí, a propósito nomeadamente da filologia e da génese,  com o antologiador itálico Giuseppe Tavani e com Carolina Michaelis de Vasconcelos, conceituados cultores desses primórdios da nossa língua comum.
Enfim, no mais recôndito lugar,  entre ferragens, atoalhados, discos em vinil, de tudo um pouco até meias à dúzia a cinco euros 'ó freguesa', ali estava,  dispersa,  a Nação, em adelo mas sobreviva.