sábado, 18 de agosto de 2018

Todo o Portugal é galego

Comecei a ler, como amiúde faço, pelo meio, com surtidas às folhas do início, depois a percorrer na íntegra uma entrevista, concedida pelo autor, em 1932, ao Diário da Noite.
São dispersos, fruto de quarenta e sete anos de trabalho em prol da defesa do galaico-português.
Detenho-me demoradamente no que é o artigo mais extenso do conjunto. Prosa límpida, tema diversificado, narrativa solta como se em conversa. O título é tudo: A Galiza, o Galego e Portugal
Sublinho, como gosto, e há livros que não valem um risco, neste raro é o parágrafo em que não fica assinalado um excerto. 
Antes de vir aqui, seguia o amoroso esforço de reabilitação de Luiz Vaz de Camões, que numa desastrada estância do Canto IV dos seus Lusíadas pareceu pagar com ingratidão a origem galega, pondo na boca de Vasco da Gama o epíteto «sórdido galego», ante o que Manuel Rodrigues Lapa tudo faz para, inventariando exegetas, achar uma hermenêutica que reconstrua o vocábulo, salvando-o do pejorativo maior.
Mas foi a citação aí a Alexandre Herculano, por cuja grave probidade não posso ter maior apreço, fantasma hoje num tempo de fulgurante esquecimento e medíocre indiferença, que me dita estas linhas: todo o Portugal é galego, muitas vezes sem saber que o é.

domingo, 29 de março de 2015

A poesia une: João Verde e Amador Saavedra



A poesia une povos. Segundo o jornal Faro de Vigo «El puente internacional de Salvaterra y Monçao, que hoy domingo cumple 20 años desde su entrada en servicio, se denomina desde ayer "Joâo Verde e Amador Saavedra", en honor a los poetas que escribieron versos sobre la unión de las dos villas.
Los actos contaron también con la firma de un protocolo de hermanamiento entre las dos localidades para compartir servicios y poner en marcha proyectos conjuntos para beneficiar a sus vecinos.». A notícia é também divulgada pela Câmara Municipal de Monção [ver aqui]
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João Verde [pseudónimo de José Rodrigues do Vale], nasceu em Monção no ano de 1866, no Largo da Palma, e faleceu em 1934, na “Casa do Arco”, Rua Conselheiro Adriano Machado, conhecida localmente como Rua Direita. [sobre ele ver mais aqui]

sábado, 18 de outubro de 2014

Costa da Morte

Regressa o corpo ao local natural do seu destino, levado em viagem pela torrente na convulsão que é a vida. Talvez seja aqui o limiar do que se chame casa, uma pálida luz, ido o horror do pior momento, enregelados de sofrer.


domingo, 6 de abril de 2014

Grial, revista de cultura


Encontrei hoje, na 'Feira dos Peludos', em Espinho, uns números soltos da revista Grial [ver a história da revista aqui] entre os quais este, editado em 1968, compilando um estudo de Manuel Rodrigues Lapa sobre a edição,  saída em Itália,  em 1964, das poesias do nosso clérigo trovador Aires Nunes (ou Airas Nunes).
Homem dedicado às letras galaico-portuguesas,  Manuel Lapa detém-se sobre o fundo inspirador provençal dessa lírica e sobre a problemática da origem galega do seu autor. E polemiza aí, a propósito nomeadamente da filologia e da génese,  com o antologiador itálico Giuseppe Tavani e com Carolina Michaelis de Vasconcelos, conceituados cultores desses primórdios da nossa língua comum.
Enfim, no mais recôndito lugar,  entre ferragens, atoalhados, discos em vinil, de tudo um pouco até meias à dúzia a cinco euros 'ó freguesa', ali estava,  dispersa,  a Nação, em adelo mas sobreviva.

domingo, 24 de novembro de 2013

Mulleres da Raia

Data de 2009 o documentário de Diana Gonçalves. Mais informações aqui. Heroínas desconhecidas, o contrabando como sobrevivência. Todos partem.

domingo, 20 de outubro de 2013

Regueifa


Sabeis o que é a regueifa, sem ser o pão com aquele odor apetecível a canela?

«A regueifa é a manifestación máis estendida no noso país do secular arte popular da improvisación oral en verso do que se atopan referencias dende a Antiga Grecia e Roma pasando polas cantigas de escarnio e maldicir da Idade Media ata os nosos días», escreve-se num site dedicado à recuperação e manutenção da tradição oral na Galiza. A ver aqui.

São os sons vadios, a nossa "desgarrada", o repentismo musical populares por essência, imaginativos, surpreendentes.

domingo, 29 de setembro de 2013

Camões, esse desconhecido...


«La Plaza de Portugal, proyectada a finales de los años veinte del pasado siglo, fue inaugurada en 1933, con motivo de la celebración de una semana de Portugal en Vigo. Y un año más tarde, el monumento a Luis de Camões, ofrecido a la ciudad por el Comité de la Exposición Colonial de Oporto, que presidía el capitán Enrique Galvao. Su autor fue el escultor Souza Caldas, director de la Escuela Industrial de Oporto y que tenía el taller en Vila Nova de Gaia. Desde hace años, las autoridades consulares de Portugal en Vigo vienen reclamando, sin éxito hasta ahora, un rótulo o placa "que diga quien es el hombre ilustre a quien rememora ese busto de bronce." [...] [ler a notícia completa no Faro de Vigo aqui]

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Fonte da imagem: aqui